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Mandioca (Manihot esculenta Crantz)

A mandioca, cujo nome científico é Manihot esculenta Crantz, desempenha fundamental importância econômica e social, principalmente em países da América do Sul, África e Ásia. No Brasil, é utilizada tanto para alimentação humana (farinha, cozidas e derivados como bolos e tapiocas) quanto animal, a exemplo de raízes desidratadas e parte aérea. Em termos de valor de produção, a cultura ocupa a 6ª posição entre os produtos mais cultivados no país, depois de soja, cana-de-açúcar, milho, café e algodão herbáceo.

Descrição

A mandioca é uma planta arbustiva perene, cultivada como anual ou bianual para fins comerciais. Sua parte comestível é a raiz tuberosa, rica em amido, amplamente utilizada na produção de farinha, fécula, tapioca e outros derivados. A parte aérea (hastes e folhas) também tem grande valor nutritivo, sendo utilizada na alimentação animal. A fécula de mandioca é utilizada ainda nos setores de cosméticos, farmacêutica e alimentícios.

Principais Características:

  • Nome científico: Manihot esculenta Crantz.
  • Família botânica: Euphorbiaceae.
  • Hábito de crescimento: arbustiva perene, cultivada como anual ou bianual.
  • Raiz: tuberosa, rica em amido, principal produto comercial.
  • Hastes: utilizadas como material de propagação vegetativa (manivas-semente).
  • Propagação: vegetativa, por meio de estacas de haste denominadas manivas.
Cultivo de Mandioca

Variedades e Cultivares

Tipo / Classificação Característica Principal Destaque Técnico Ciclo (meses)
Tipo Mesa (Macaxeira / Aipim) Teor de HCN inferior a 50 mg/kg; raízes com polpa branca, creme ou amarela Consumo direto cozida ou frita; raízes com 20–30 cm de comprimento e 5–8 cm de diâmetro; facilidade de descascamento e curto tempo de cozimento. 10 – 14
Tipo Indústria (Farinha e Amido) Teor de HCN superior a 50 mg/kg; alta produtividade de raízes e amido Indicada para produção de farinha, fécula e derivados industriais; cultivares com hastes retilíneas facilitam o plantio mecanizado. 12 – 18
Plantio Consorciado Cultivares de porte compatível com culturas consortes Predominante no Nordeste; principal sistema de produção dos agricultores familiares. As culturas consortes mais comuns são milho e feijão-caupi. 12 – 18

Manejo e Plantio

  • Época de plantio e escolha da área: Na Região Nordeste, a época ideal de plantio é no início das chuvas, variando entre os estados. Deve-se evitar solos com declividades acentuadas e áreas sujeitas ao encharcamento, pois as raízes podem apodrecer. É essencial realizar análise de solo antes do plantio, coletando 20 amostras simples por área homogênea (profundidade de 0–20 cm) e enviando ao laboratório.
  • Preparo da área: São utilizados dois métodos: manual, característico de agricultores familiares que consorciam a mandioca com outras culturas; e mecanizado, com uso de grade e sulcador ou preparo de canteiros de 30–40 cm de altura. O espaçamento mais indicado é de 1,00 m entre linhas e 0,60 m entre plantas, podendo ser reduzido para 0,80 m entre linhas para favorecer o sombreamento das entrelinhas e o controle de plantas daninhas.
  • Material de plantio (Manivas): A maniva é a "semente" da mandioca. Devem ser selecionadas plantas sadias, sem ataque de pragas e doenças, com aproximadamente 12 meses de idade, evitando-se as extremidades das hastes e preferindo o terço médio. As manivas devem ser cortadas com cerca de 20 cm de comprimento (6 a 7 gemas viáveis). O armazenamento não deve ultrapassar 30 dias, em local fresco e ventilado, à sombra. O "teste do leite" (presença de látex ao corte) confirma a viabilidade do material.
  • Adubação: Baseada em análise de solo. Para produção de 25 t de raízes são extraídos 123 kg de N, 27 kg de P, 146 kg de K, 46 kg de Ca e 20 kg de Mg. A adubação fosfatada deve ser aplicada integralmente no plantio (superfosfato simples ou triplo). A adubação nitrogenada (sulfato de amônio ou ureia) deve ser fracionada em duas etapas: no plantio e aos 30–60 dias após a emergência. O cloreto de potássio (KCl) é aplicado em fundação, podendo ser parcelado em solos muito arenosos.
  • Sistemas de plantio consorciado: Sistema predominante no Nordeste, especialmente entre agricultores familiares. A mandioca pode ser consorciada com fumo, feijão, amendoim, feijão-vagem e milho. A mandioca não tolera sombreamento, portanto o porte e o ciclo das culturas consortes são fundamentais. O sistema de fileiras duplas (2,00 m × 0,60 m × 0,60 m) permite produção organizada e facilita a mecanização.
  • Controle de plantas infestantes: Nos primeiros quatro a cinco meses do ciclo, a mandioca é sensível à competição com plantas daninhas, exigindo cerca de 100 dias livres de interferência. Recomenda-se a capina sempre que possível. O controle químico deve utilizar somente produtos registrados para a cultura, nas dosagens recomendadas.
  • Colheita: Realizada a partir dos 12 meses de idade da planta, podendo se estender até 18 meses ou mais dependendo da cultivar e do mercado. No sistema consorciado, a colheita da cultura de ciclo mais curto deve preceder a colheita da mandioca. Recomenda-se colher em solo com umidade adequada para evitar danos às raízes e reduzir a incidência de podridões pós-colheita.

Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP)

Principais Pragas
Praga Sintomas Manejo Recomendado
Mandarová (Erinnyis ello) Lagartas (verde ou escura) de grande voracidade que consomem as folhas em poucos dias, podendo causar desfolha completa da lavoura e redução drástica da produção de raízes. A destruição da copa favorece também o desenvolvimento de plantas daninhas. Monitoramento periódico; catação manual em pequenas áreas; inseticidas à base de Bacillus thuringiensis; uso de Baculovirus erinnyis (pode ser preparado pelo próprio produtor com lagartas mortas, aplicando ao final da tarde). Inseticidas registrados (Agrofit) sob orientação técnica.
Percevejo-de-renda (Vatiga illudens) Ocorre principalmente no período seco. Manchas amareladas e marrom-avermelhadas nas folhas basais e medianas, podendo evoluir para as folhas apicais em ataques severos, causando desfolhamento e redução da produtividade. Atualmente não há produtos registrados para controle desta praga. O uso de variedades tolerantes é a medida mais indicada.
Ácaro-verde e ácaro-rajado (Mononychellus tanajoa e Tetranychus urticae) Ocorrem no período seco. Folhas cloróticas e com bronzeamento; o ácaro-verde ataca brotos e folhas jovens (deformadas e amareladas); o ácaro-rajado ataca folhas medianas e basais (cor marrom). Em casos graves, as folhas secam e caem, podendo matar a planta. Práticas integradas: destruição de plantas hospedeiras; inspeções periódicas; destruição de restos culturais; seleção de material de plantio livre de ácaros; distribuição adequada das plantas. O uso de acaricidas não é recomendável, pois não há produtos registrados para a cultura.
Mosca-do-broto (Neosilba spp.) Larvas alimentam-se das novas brotações, causando quebra da dominância apical e prejudicando o desenvolvimento das plantas, com surgimento de múltiplas brotações laterais. Eliminação e enterrio ou queima dos brotos atacados. Inseticidas registrados (Agrofit) sob orientação técnica.
Mosca-das-galhas (Jatrophobia brasiliensis) Comum nos primeiros 90 dias. Estruturas semelhantes a brincos ou verrugas na superfície superior das folhas (verde ou avermelhadas), como reação da planta ao ataque. Em ocorrências severas, recomenda-se eliminação e destruição das folhas atacadas. Não há produtos registrados para esta praga.
Moscas-brancas (Aleurothrixus aepim, Bemisia spp.) Insetos pequenos de coloração branca que sugam as folhas, causando enfraquecimento da planta, queda de folhas (100% em casos severos) e redução da qualidade e quantidade de raízes. Favorecem o desenvolvimento da fumagina (Capnodium sp.). Existem produtos químicos registrados apenas para Bemisia tabaci (Agrofit). Uso sob recomendação de profissional habilitado.
Principais Doenças
Doença (agente) Sintomas Manejo Recomendado
Cercosporioses (Cercosporidium henningsii, Cercospora vicosae) Redução da produção de folhas e da produtividade de raízes e amido. Os prejuízos não são relevantes na maioria das ocorrências. Na maioria dos casos não é necessário controle com fungicidas. Uso de cultivares tolerantes e manejo preventivo do plantio.
Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides f.sp. manihotis) Redução da produção de folhas e produtividade geral. Os danos geralmente não justificam medidas de controle químico na maioria das situações. Uso de material de plantio sadio; manejo preventivo. Controle com fungicidas raramente necessário.
Oídio (Oidium manihotis) Estruturas pulverulentas esbranquiçadas sobre as folhas, causando redução da área fotossintética. Na maioria das ocorrências, não provoca prejuízos relevantes. Uso de cultivares tolerantes. Medidas de controle com fungicidas geralmente não são indicadas.
Podridão-mole (radicular) (Fusarium spp., Phytophthora spp., Pythium spp.) Primeiro sintoma são folhas amareladas e murchas que caem; raízes em estado de putrefação com aspecto aquoso e odor desagradável. Pode causar perdas de até 100%. Ocorre mais em plantas adultas, mas também em plantas jovens. Conjunto de medidas: uso de manivas de plantios sadios; plantio em canteiros ou camalhões em áreas mal drenadas; rotação de cultura com gramíneas (ex.: milho) quando houver frustração de safra; evitar encharcamento do solo.
Podridão-seca (radicular) (Armillaria mellea, Sclerotium rolfsii, Rosellinia necatrix) Raízes com podridão de consistência seca, sem desintegração e sem odor desagradável, diferenciando-se da podridão-mole. Pode causar perdas severas na lavoura. Uso de manivas sadias; rotação de cultura; plantio em áreas bem drenadas; monitoramento e eliminação de plantas sintomáticas.
Atenção ao Plantio: A época ideal de plantio para o Distrito Federal e Entorno compreende o período de outubro a dezembro. Este intervalo coincide com o estabelecimento das chuvas de verão, fator crítico pois a umidade do solo é o gatilho biológico para a ativação das gemas das manivas e a formação inicial do sistema radicular.
  • Balanço Hídrico: Plantios realizados após dezembro enfrentam maior risco de veranicos (períodos secos em pleno verão) que podem comprometer o vigor das mudas.
  • Vigor Germinativo: O uso de manivas armazenadas por mais de 30 dias reduz drasticamente a taxa de brotação. Recomenda-se que a rama tenha entre 10 e 12 meses de idade, sendo retirada do terço médio da planta mãe.