Pepino (Cucumis sativus)
O pepino, cujo nome científico é Cucumis sativus, tem grande importância econômica e social dentro do agronegócio de hortaliças no Brasil. É muito apreciado e consumido em todas as regiões brasileiras. O fruto pode ser consumido na forma crua em saladas, sanduíches, sopas ou em conservas. Além disto, pode ser utilizado em cosméticos e medicamentos devido a suas propriedades nutracêuticas.
Descrição
O pepino é uma planta trepadeira anual da família Cucurbitaceae. Seus frutos são alongados, de coloração verde, com polpa branca e aquosa. A China é responsável por aproximadamente 60% da produção mundial de pepino. A produção anual brasileira ultrapassa 200.000 toneladas, com a região Sudeste respondendo por mais de 50% do total nacional, sendo São Paulo o principal estado produtor.
Principais Características:
- Nome científico: Cucumis sativus L.
- Família botânica: Cucurbitaceae.
- Hábito de crescimento: herbácea anual, trepadeira ou rasteira.
- Frutos: alongados, cilíndricos, coloração verde, polpa branca e aquosa.
- Flor: amarela, unissexual, presente na mesma planta (monoica).
- Propagação: por sementes, semeadura direta ou transplante de mudas.
Variedades e Cultivares
| Tipo / Cultivar | Característica Principal | Destaque Técnico | Comprimento na Colheita (cm) |
|---|---|---|---|
| Caipira | Frutos verde-claros com listras longitudinais e "barriga branca" | Único tipo adaptado ao cultivo rasteiro em campo aberto; sabor agradável, livre de amargor; cultivares com acúleos brancos apresentam melhor conservação pós-colheita. | 12 - 15 |
| Aodai / Comum | Frutos verde-escuros, cilíndricos | Principal grupo em volume de comercialização no Brasil; cultivado exclusivamente em sistema tutorado; sabor muito apreciado em regiões metropolitanas. | 21 - 23 |
| Japonês / Aonaga | Frutos triloculados, verde-escuros, alongados, com espinhos brancos | Predominantemente cultivado em casas de vegetação; maioria das cultivares partenocárpicas; mais exigente em manejo; bem aceito por mercados diferenciados. | 20 - 30 |
| Conserva / Indústria | Frutos verde-escuros, triloculados, colhidos precocemente | Destinado à industrialização (picles); principais produtores nos estados do Sul, especialmente Santa Catarina; colheitas diárias favoráveis devido ao rápido crescimento. | 5 - 7 |
Manejo e Plantio
- Propagação: O plantio pode ser feito tanto por semeadura direta quanto por transplante de mudas. A semeadura em sulcos é preferível à semeadura em covas, pois favorece o desenvolvimento do sistema radicular e melhor aproveitamento de água e nutrientes. Para cultivares híbridas, recomenda-se a produção de mudas em bandejas de polipropileno de 128 células.
- Transplante / Semeadura direta: Mudas produzidas em bandejas estão prontas para o plantio entre 8 e 10 dias após a semeadura. A profundidade de plantio é de 1,5 a 2 cm. No cultivo tutorado, o espaçamento recomendado é de 1 m entre linhas e 0,4 a 0,6 m entre plantas, com uma planta por cova. No cultivo rasteiro para consumo in natura, utiliza-se 1,5 x 1 m com 2 plantas por cova.
- Tutoramento: A campo, o tutoramento é realizado com estacas de bambu rachadas ao meio em forma de "V" invertido a 1,7 m de altura. Os segmentos caipira e conserva adaptam-se ao cultivo rasteiro; o aodai é exclusivamente tutorado; o japonês deve ser conduzido em cultivo protegido e tutorado.
- Irrigação: O pepino é exigente em água — o estresse hídrico afeta desde a fotossíntese até o metabolismo dos carboidratos. A umidade do solo deve ser mantida próxima à capacidade de campo. Em campo aberto predomina a irrigação por aspersão; em cultivo protegido o gotejamento é o mais indicado, pois reduz doenças foliares e permite a fertirrigação.
- Solo: Prefere solos de textura média, leves, profundos, férteis, bem drenados e com alto teor de matéria orgânica. Solos pesados com histórico de mecanização intensa devem ser evitados. O pH ideal é entre 5,6 e 6,8. Calagem ou fosfatagem, quando recomendadas, devem ser feitas pelo menos dois meses antes do plantio.
- Adubação: A adubação orgânica deve ser aplicada na dose de 30 t/ha de esterco bovino, 8 t/ha de esterco avícola ou 2,5 t/ha de torta de mamona fermentada, de 20 a 30 dias antes da semeadura. Na adubação mineral, recomenda-se geralmente 120 kg/ha de N, 120 a 250 kg/ha de K e 60 a 300 kg/ha de P, parcelados conforme análise de solo. A fertirrigação com fertilizantes solúveis permite melhor aproveitamento dos nutrientes.
- Colheita: O início da colheita ocorre entre 40 e 50 dias após a semeadura, podendo-se estender por 60 a 80 dias. Colheitas em dias alternados estimulam a frutificação e elevam a produtividade. O tipo caipira é colhido com 12 a 14 cm; os tipos aodai e japonês com 21 a 23 cm. Para o conserva, o ponto de colheita varia de 5 a 7 cm e colheitas diárias são recomendadas.
- Rotação de culturas: Fundamental para reduzir a incidência de doenças e nematoides no solo. Recomenda-se rotação com espécies que não pertençam à família das cucurbitáceas, evitando plantios sucessivos de pepino, melancia, melão e abóboras na mesma área.
Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP)
Principais Pragas
| Praga | Sintomas | Manejo Recomendado |
|---|---|---|
| Mosca-branca (Bemisia tabaci biótipo B) | Sucção de seiva e ação toxicogênica, provocando alterações no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. O líquido açucarado expelido favorece o desenvolvimento de fumagina (Capnodium) sobre folhas e frutos. | Uso de sementes sadias; isolamento dos cultivos por data e área; barreiras vivas ao redor da lavoura; armadilhas amarelas adesivas; cultivo protegido com telado; destruição de restos culturais; controle químico com inseticidas registrados no MAPA. |
| Pulgões (Aphis gossypii e Myzus persicae) | Definhamento de mudas e plantas jovens; encarquilhamento de folhas, brotos e ramos; formação de fumagina; transmissão de viroses ao cultivo. | Cultivo distante de plantios velhos de cucurbitáceas; barreiras vivas; cultivo protegido; plantio contra o vento; eliminação de plantas com viroses; uso de cultivares resistentes às principais viroses; inseticidas específicos registrados. |
| Tripes (Thrips tabaci, T. palmi, Frankliniella schultzei) | Folhas com aspecto queimado ou prateado e pontuações escuras; manchas e cicatrizes nos frutos em desenvolvimento; podem ser transmissores de vírus. | Mesmas medidas adotadas para pulgões e mosca-branca; inseticidas registrados conforme Tabela de inseticidas do MAPA. |
| Brocas-das-cucurbitáceas (Diaphania nitidalis e D. hyalinata) | Lagartas atacam folhas, brotos e frutos; abrem galerias na polpa dos frutos tornando-os inaptos para comercialização; brotos atacados secam. Altas infestações nos meses mais quentes (setembro a março). | Cultivares de ciclo curto adequadas à época; isolamento de talhões; policultivos com plantas não hospedeiras; cultivo protegido; rotação de culturas; vazio fitossanitário de pelo menos quatro semanas; inseticidas sintéticos ou biológicos com Bacillus thuringiensis registrados. |
| Vaquinhas (Acalymma bivittula, Diabrotica spp., Epilachna cacica, entre outras) | Adultos causam perfurações nas folhas, reduzindo área fotossintética; ataque às flores pode ocasionar aborto; larvas de algumas espécies atacam raízes no solo. | Pulverizações foliares com inseticidas registrados; iscas com raízes de "tajujá" ou cabaça verde tratadas com inseticidas, distribuídas nas bordas do cultivo e substituídas quinzenalmente; não se recomenda controle químico de larvas no solo. |
| Nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) | Perda de vigor, deficiência mineral, estresse hídrico nas horas mais quentes mesmo com solo úmido; baixa produtividade; engrossamento irregular e formação de galhas nas raízes. | Controle preventivo: alqueive nos períodos secos; evitar áreas infectadas; rotação com plantas antagonistas (braquiária, mucuna preta, cravo-de-defunto, crotálaria). Não há produto químico registrado no MAPA para esta cultura. |
Principais Doenças
| Doença (agente) | Sintomas | Manejo Recomendado |
|---|---|---|
| Oídio (Podosphaera xanthii) | Crescimento branco pulverulento nas partes aéreas, principalmente folhas; coalescência das manchas pode afetar toda a área foliar. Mais comum em cultivos protegidos. | Uso de cultivares resistentes; fungicidas à base de enxofre para casos comuns; fungicidas sistêmicos (triazóis) em condições mais favoráveis à doença; iniciar o tratamento nos primeiros sintomas, que ocorrem na parte inferior da folha. |
| Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides f. sp. cucurbitae) | Nas folhas: encharcamento do tecido seguido de necrose, manchas circulares pardas com centro mais claro; nas hastes: lesões elípticas deprimidas; nos frutos: lesões circulares a elípticas com massa rosada de esporos em estádios avançados. | Sementes sadias; destruição de restos culturais e cucurbitáceas silvestres; rotação de culturas; cultivares resistentes (ex.: Runner, Colônia, Guairá, Premio, Supremo); fungicidas protetores (mancozeb, chlorothalonil) ou sistêmicos (benomyl, thiabendazóis); manejo adequado da irrigação em cultivo protegido. |
| Cancro-das-hastes (Dydimella bryoniae) | Tombamento de mudas por necrose do colo; nas hastes, encharcamento com exsudação de goma parda evoluindo para cinza com corpos de frutificação negros; lesões podem causar morte da parte aérea acima da lesão. | Rotação com espécies não cucurbitáceas; sementes tratadas com captan ou thiram; evitar locais com excesso de umidade e próximos a outras cucurbitáceas; rigoroso controle da água de irrigação em ambiente protegido. |
| Míldio (Pseudoperonospora cubensis) | Manchas cloróticas e angulosas na parte inferior da folha que evoluem; esporângios verde-oliva a púrpura na face inferior; manchas necrosadas em estádios avançados, reduzindo severamente a produtividade. Favorecido por temperatura de 16 a 22°C e alta umidade. | Cultivares resistentes; evitar plantios em locais favoráveis à doença; fungicidas protetores (mancozeb, cúpricos, chlorothalonil) ou sistêmicos (metalaxil-M, azoxistrobina). |
| Mancha-zonada (Leandria momordica) | Manchas encharcadas que tornam-se esbranquiçadas após a necrose; evoluem para manchas angulosas que coalescem; corpos de frutificação negros na parte inferior da folha. Comum na região Sudeste em épocas quentes e úmidas. | Locais menos sujeitos ao excesso de umidade e bem arejados; rotação com não cucurbitáceas; cultivares resistentes; fungicidas protetores (chlorothalonil) ou curativos (tebuconazol, azoxistrobina). |
| Mancha-angular (Pseudomonas syringae pv. lachrymans) | Doença bacteriana; manchas encharcadas e angulosas nas folhas limitadas pelas nervuras, tornando-se necrosadas; nos frutos, manchas encharcadas que evoluem para podridão por bactérias do gênero Erwinia. Favorecida por temperaturas de 24 a 28°C e alta umidade. | Medidas preventivas; aeração adequada das casas de vegetação; rotação por mínimo de dois anos com não cucurbitáceas; tratamento de sementes com ácido lático a 2% por 20 minutos; evitar excesso de adubação nitrogenada; fungicidas cúpricos (com cautela para evitar fitotoxidez). |
| Viroses (PRSV-W – Papaya ringspot virus tipo W) | Amarelecimento entre nervuras, mosaico e deformações foliares; plantas definhadas; frutos deformados com alteração na cor. Transmitida por mais de 20 espécies de pulgões de forma não-persistente; mais comum em regiões tropicais. | Cultivares resistentes; cobertura do solo com material repelente associada a óleo mineral; evitar plantio próximo a lavouras velhas de cucurbitáceas; eliminação de restos culturais e plantas hospedeiras; controle químico dos pulgões vetores. |